Sons do Sul – uma cartografia linguística é um mapeamento sonoro de sete línguas faladas no Rio Grande do Sul e consiste em um projeto de pesquisa, documentado através de uma biblioteca virtual de sons. Selecionamos para esta etapa do projeto algumas das línguas de imigração, indígenas e afro-brasileiras presentes no estado: Língua Pomerana, Talian, Japonês, Polonês, Guarani, Kaingang e Iorubá. 

A diversidade linguística do Brasil é um elemento essencial no mosaico de manifestações populares e do patrimônio cultural imaterial do país. O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, revelou que há 274 línguas indígenas faladas em território brasileiro, isso sem contar as línguas crioulas, de imigração e afro-brasileiras também presentes no Brasil.  

No entanto, essa diversidade corre perigo, como mostra um relatório da Unesco publicado em 2016. Segundo o estudo, das cerca de 6.700 línguas faladas no mundo, 50% estão ameaçadas de desaparecer até o final deste século. Instrumentos de políticas públicas de cultura são essenciais não apenas para salvaguardar e manter essas línguas como também para proteger em especial as culturas dos grupos sociais minoritários, na medida em que, segundo o Guia de Pesquisa e Documentação do Inventário Nacional de Diversidade Linguística (Iphan, 2016), “se encontram em posição de maior vulnerabilidade linguística.”

Ainda segundo o Inventário, atores e instituições da sociedade civil “são elementos fundamentais para a execução da política, pois geram subsídio para o desenvolvimento de outras ações de fortalecimento da diversidade linguística e contribuem para constituição”.

Sons do Sul se insere neste contexto, a partir do desejo de pesquisadores e trabalhadores da cultura residentes no Rio Grande do Sul, motivados pela diversidade e pela riqueza do patrimônio cultural do Brasil. Acreditamos que o projeto pode contribuir para a visibilidade dessas línguas, de modo a inspirar que cada vez mais pessoas se interessem pelo assunto. 

Para além das políticas públicas e dos agentes da sociedade civil, é pela voz dos falantes que a diversidade linguística segue viva e pulsante, de geração a geração, em um processo constante de valorização da ancestralidade, dos saberes e da cultura popular. Por isso, queremos homenagear aqui a dona Odília, o Eric, a professora Maria Inês Chilianti e seus pequenos alunos, o Arão, o Kayzee, a Inês e a Denise, o Hilmar, a Viviana Patrícia, a Arima, a professora Iaioi Tao, a Marta e seu marido – e todas, todos e todes os demais falantes que nos ensinam a valorizar nossas raízes e a diversidade que forma esse mosaico chamado Brasil.

Projeto realizado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas com recursos da Lei nº 14.017/20