Talian

Tradução

Vó – Eric, vai pegar mais uma carga de lenha para aumentar o fogo.

Eric – Aqui está a lenha, vó
***

A velha Trivelina tem a vista (vida) curta
Mas ainda assim ela insulta
O velho Trivelin
Não, não, assim não vai
O velho Trivelin está mal
O velho Trivelin è.s vezes se enfurece
***

Quando se planta a bela polenta,
A bela polenta se planta assim,
Se planta assim, se planta assim.
Bela polenta assim.


Iorubá

Tradução

Me chamo Kayzee e sou cozinheiro. Eu trouxe a cultura da culinária Iorubá para cá, ganhei através da minha mãe que é uma cozinheira e a minha avó também, elas que me ensinaram a cozinhar e essa é a cultura que eu trouxe aqui em Porto Alegre. Aqui a gente atende dependendo do que as pessoas querem, a gente faz vários tipos de pratos, tradicionais também,  e ensina os nossos alunos vários métodos para fazer as comidas Iorubá. 

A participação no colegiado setorial de Diversidade Linguística  permitiu que eu possa trazer uma outra forma de aprender a cultura Iorubá,  que abrange muitas coisas, como a música, a dança, o teatro e a culinária também. Onde a gente vai a gente leva a  cultura da comida, e dentro da cozinha, a gente pode aprender muitas coisas  sobre as festas, sobre a tradição. Eu tenho orgulho de ser um Iorubá, a gente se orgulha da nossa música, nossa dança, nossa culinária, o nosso jeito de  vestir. Aonde a gente vai tem esse orgulho, porque nossa cultura não tem limite, não tem fim. A cultura Iorubá é diversidade em si, quando a gente está aqui no Brasil é um outro tipo de Iorubá que a gente tem. O mesmo povo mas um outro jeito de fazer, nós temos essa oportunidade de sermos muitos. 

É uma coisa muito boa que os brasileiros aprendam a sua origem, aprendam de onde vieram. É uma coisa boa até pra gente se livrar dessa coisa de escravidão, uma coisa boa porque fortalece a própria cultura. Se você conhece a religião, já conhece um pouco como falar, já conhece um pouco da comida. Quando você decidir um dia voltar lá, nada vai ser estranho pra ti, porque você já sabe daqui, você  já se doou pra saber,  já não vai se assustar com a pimenta, porque você tem que se preparar para pimenta. Já aprendeu a dançar na religião, já aprendeu a orar a religião, você está pronto para voltar à sua origem. Pode levar teus filhos pra fazer turismo um dia, mostrar onde é Oxum e os outros estados.

Minha cabeça me permite ter sucesso, minha cabeça me permite ter sucesso, minha cabeça me permite ter sucesso.

Polonês

Tradução

Eu acho muito importante manter a língua, porque tive a oportunidade de fazer um curso na Polônia e lá a cultura é muito valorizada. E também para o resgate da autoestima da pessoa como descendente polonês. Porque eu sinto que como as pessoas vieram em uma época muito difícil, aspiravam ter um pedaço de terra para plantar, a maioria eram agricultores, como era difícil que eles conseguissem se entender no brasil, os mais velhos meios que se escondem, não querem se identificar. Não por preconceito de outras pessoas, mas era algo natural de se proteger de alguma coisa que a gente não entende, porque na minha casa a gente sempre valorizou isso. Eu sempre digo que tenho duas pátrias: eu amo o Brasil e amo a Polônia. Quando meu avô chegou, eles andavam como uma espécie de nômades, em Casca, Antonio Prado, Vista Alegre do Prata, até se estabelecerem aqui nessa região. 

Kaingang

Tradução

Eu sou da etnia kaingang, eu estou aqui hoje muito preocupado, os nossos parentes estão em Brasília lutando pelos nossos direitos, pela nossa retomada, porque o governo que está aí não quer ceder um pedaço de terra para nós. É uma preocupação para todos nós indígenas, de todas as etnias, porque esse governo quer eliminar a gente, quer acabar com nossos direitos. Hoje eu tenho meus filhos, queria um pedaço de terra para eles, não muito, mas estar em cima já estava bom para mim. Hoje estou perto de um rio aqui, o Rio Passo Fundo, mas está tudo poluído. Não tem como meus filhos virem aqui tomar banho. Não tem condições para usar essa água, às vezes minha menina entra aí e eu tenho medo que ela pegue alguma doença. Se a gente tivesse um pedaço de terra, meus filhos podiam estar caçando, pescando, tirando mel. hoje a gente não consegue mostrar nada disso pros nossos filhos. Esse governo não está pensando nos nossos filhos. Ele pensa a favor do agronegócio. Ele quer que plante muita soja, que dá mais valor. Mas pra nós, que somos humanos, que somos gente que nem ele, ele não está dando valor. Eu não estou dizendo para dar todo o Brasil para nós. tem muitos governadores que venderam as nossas terras, e a gente quer que devolvam esses pedaços de terra que nos tiraram. Estamos hoje lutando para tomar de volta. Estamos hoje passando frio, fome, enfrentando bomba de gás, nossos parentes tão em Brasília e receberam eles assim, com a polícia, receberam a cacetadas. 

Pomerano

Tradução

Denise – Bom dia, eu queria apresentar para vocês o costume dos pomeranos da família da Inês Klug. Essa família trouxe para ela o costume das plantações de chá, porque antigamente não tinha médicos, e ela continuou essa plantação. O costume de falar a língua pomerana vem da mãe para o filho, então para não perder o costume, a mãe ensina para as crianças. Hoje em dia, o pai e a mãe insistem em ensinar as crianças para não perder a raiz. No colégio, as professoras incentivam, algumas se lembram da cultura pomerana, então continuam falando todos os dias.

Hilmar – Eu nasci aqui no interior de São Lourenço, onde meus avós são pomeranos, vieram da Prússia 10 anos depois do início da colonização aqui e nos criamos só falando a língua pomerana. Quando entrei no colégio, eu não sabia falar português e não se podia falar nem na estrada, então os alunos aprenderam português. até hoje, as crianças falam o pomerano no interior, é a língua que predomina no interior do nosso município. E graças ao roteiro Caminho Pomerano, houve esse resgate, essa cultura está bem mais viva. As pessoas tempos atrás tinham vergonha de falar o pomerano. Hoje, mais ninguém tem vergonha de ser pomerano. Foi muito importante esse resgate, melhorou a autoestima do pomerano, que tinha a autoestima muito baixa. Tanto que já tem escolas que já tem dicionário para manter as duas línguas. É um dos diferenciais que temos na região.

Guarani

Tradução

Eu aprendi o artesanato com a minha mãe, com meu pai e eu comecei com oito anos de idade. Eu aprendi com a minha mãe e até hoje estou trabalhando com isso. E isso eu vou mostrar para o meu filho. Agora a minha filha mais velha está aprendendo a fazer, e ela também vai continuar fazendo. E isso não vai acabar nunca até nós existirmos, o nosso trabalho vai continuar, o nosso trabalho não vai desaparecer enquanto nós existirmos, minha filha, o meu neto, assim vai. Enquanto nós existirmos, o nosso artesanato não vai desaparecer, e nós nunca vamos esquecer disso, porque essa é a nossa aprendizagem de nossos ancestrais, e vai continuar.  Nesta pandemia está muito difícil para vender. Os brancos não estavam saindo e daí é muito difícil para vender artesanato. 

A nossa língua veio do nosso espírito, e é claro que o espírito tem outra língua também. Têm algumas que mesmo o guarani mesmo não alcança, mas as falas do espírito dos nossos ancestrais tem convivido conosco. O nosso espírito tem um pouquinho outra língua, e nós temos que continuar com essa língua que é importante para nós. Por exemplo, se eu falar agora do sol, é o normal que eu vou falar. Nosso espírito chama de outro modo, yamandú, e isso é importante para nós. E português é importante aprender também para nos defendermos. 

Japonês

Tradução

Arima San – É para falar em japonês? O meu nome é Arima Tatsuko. Iniciei meu trabalho nesse memorial fazem 24 anos.

Iaioi Tao – A Escola de Língua japonesa já existe há cerca de 50 anos, e aqui eu leciono há cerca de 20 anos.
A administração da Escola Japonesa ocorre dentro da organização da Associação da Escola Japonesa Então sabemos que as crianças, como eu nascidas no Brasil, desde pequeno falávamos a língua japonesa, apreendida dentro de casa. Antes de ir para a escola brasileira nós aprendíamos dentro de casa.

A colônia japonesa de Ivoti este ano completa 55 anos de Fundação. A colônia iniciou com 23 famílias de imigrantes. Primeiramente iniciamos com criação de aves e posteriormente para a plantação de uvas de mesa, e atualmente temos somente cinco ou seis famílias que cultivam uvas ou plantam flores. A escola nasceu juntamente com a necessidade de continuarmos a falar e passar o consumo para os nossos filhos.

A Feira da Colônia Japonesa ocorria até então antes da pandemia no último domingo de cada mês, onde nós dávamos as opções aos visitantes de comer comida japonesa, produtos artesanais japoneses, e também verduras e frutas da época. E a escola japonesa foi convidada para dar um, digamos, um ar mais cultural a Feira. Nessa feira a gente faz origamis para as crianças que vem nos visitar saiba um pouco da cultura.